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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Adele - Set Fire to the Rain (Live from The Tabernacle, Notting Hill)

It's oh so quiet...

Eu tenho conversado constantemente com o teu silêncio, é tanto silêncio que as vezes confundo um poucos as idéas.

Leio o teu silêncio também, abraço teu silêncio e coloco ele pra dormir do meu lado. Confesso que quando estamos dormindo abraçados, eu e o teu silêncio, sinto um pouco de frio, pois ele não sente calor.

Ele fica o tempo todo em silêncio, as vezes se esconde no canto do quarto, as vezes tenta fugir, as vezes deita calmamente do meu lado e me abraça friamente, mesmo assim é bom quando ele está por perto, é a única coisa que me restou e aos poucos vamos nos acostumando a essa condição.


P.S.: Textículo escrito ao som de Adele -"Set fire to the rain" no modo repeat.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Des-esperar

Quando ele chegou, o outro partiu. Talvez por esperar demais ou não esperar mais nada. Foi até a cozinha daquele lugar sem corpo e alma, pegou dois copos, uma garrafa de vodka, um cinzeiro, uma vela e foi sentar-se a mesa. Bebeu toda a vodka enquanto a chama ia lentamente dando lugar a escuridão. Ficou assim por horas, dias, semanas, nunca saberemos ao certo.

Quando ele voltou, o outro tinha partido. Tinha cansado de esperar e resolveu des-esperar. Sobre a mesa o resto de vela, as garrafas vazias denunciavam que a espera tinha sido longa, filtros de cigarro e poeira.

Porém, "nesse deserto de almas também desertas", até as almas especiais perdem sua paz e seu porto seguro, como o outro que esperava o outro, que também o esperava e hoje não esperam mais nada.

E "para evitar surpresas", hoje eles "deixam todas as portas e janelas abertas!"


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Last Kiss - Pearl Jam


Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

We were out on a date in my daddy's car,
We hadn't driven very far.
There in the road straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.

Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

When I woke up, the rain was pouring down,
There were people standing all around.
Something warm flowing through my eyes,
But somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said;
"Hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.

Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

http://www.youtube.com/watch?v=hBGfoOVn4o4

Carta de Caio F. Abreu para Elis Regina

"Maninha, precisava ser agora? Em pleno verão, o sol quase em Aquário. Sei que teu coração não aguentava mais tanta barra. Sacanagem... E juro que agora eu ouvi você rindo assim: quá-quá-rá-quá-quá. Tô sentindo um oco, Hélice. Tão ruim. O dia não conseguiu chover: eu queria agora chorar todo o choro que o dia não chorou por ti. Não consigo. Eu tenho a impressão de que poderia reconstituir, dias após dia, desde uma daquelas manhãs de domingo no Cine Castelo (que coisa mágica, eu tinha 12 anos, você 15) até estas duas da madrugada de hoje? Consigo não, Che. A gente, que é gaúcho, se entende. O tempo existe, Pimentinha, e passa, leva no arrastão as coisas e as pessoas que não morrem: ficam encantadas. Y solo resta el silencio, un ondulado silencio...Nós te amávamos tanto, tanto. Guria. Até."

(Caio Fernando Abreu)

domingo, 3 de abril de 2011


Last Time

Hoje de manhã, ao despertar, eu decidi que queria visitar o mar. Precisava deixar minhas tristezas para ele curar, precisava sentir a maresia invadindo meus pulmões, sentir o cheiro dele dentro e fora de mim. Mergulhar dentro de mim, afogar todas essas dores. Olhar para cima e ver o céu azul me abduzindo todo, no exato momento em que a brisa sopra no meu ouvido aquela melodia que num sai mais de mim, que virou mantra, vício, obseção, todo dia, varias vezes por dia, eu ouço, mesmo em silêncio eu ouço também.

Me levanto, traço um linha imaginária e sigo em direção ao mar, o vento soprando, a melodia ecoando em meus ouvidos e vou: maradentro!