Check it out!

sábado, 25 de janeiro de 2014

De Tarantino e Sade, todo mundo tem um pouco.

É na loucura dos normais que a insanidade faz a festa.

Chega de mansinho, vai entrando em casa e passa direto para o lugar dos prazeres inconfessáveis: a alcova.
Nas quatros paredes do recinto, quem dirige a cena é a luxúria embebecida de álcool e fumaça furta cor.
Tudo que ali se encontra é velado, é túmulo, é despido de qualquer pudor equaliza-dor. Na arte do entretenimento dos prazeres um é sempre vouyer, dois já passamos para a normatividade, três é sempre um convite à trois, em seguida um balanço no swing à quatre e os números vão perdendo sua forma, se transformando em gemidos e sussurros.

- "Como ser delicado de pau duro?" Pergunta o jovem no tatear de mãos gulosas que vasculham cavernas e túneis em busca do melhor encaixe.

- "Oh, céus! Não... não quero que seja ele, senão vou morrer: o vosso é bem menor." Mas no escuro, tamanho não é documento.

Os corpos se unem a música que adormece as carnes tremulas e é tudo gozo, é tudo dor, é tudo calor.
É na morte de gozar plenamente que o desejo se alimenta e todo dia morre-se um pouco. E morre-se só, pois é no altar que o egoísmo te espera. É na individualidade dos prazeres que cada um vai construindo sua alcova, seu túmulo, seu cárcere.

No meu quarto é tudo assim, tem um pouco de alcova e cova, um pouco de Marquês e de Sade também, um pouco de Mia Wallace e Beatrix Kiddo. Tem também um pouco de Selma e Miranda Priestly, Mallory Knox e Heleninha Roitman.

Acordei me sentindo Marylin, só me falta saber se assumo ser Monroe ou Manson. Na dúvida, vou assistir Pulp Fiction.

Texto escrito por Ma Vie

* Os trechos entre aspas foram tirados do romance A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

domingo, 5 de janeiro de 2014

It's evolution, baby!


Da confusão a conclusão.

- você cheira cocaína.
- não cheiro. 
- então por que você vai tanto ao banheiro? 
- eu tenho uma bexiga de menina. 
- você cheira cocaína e é um machista babaca. 
- posso ser machista, mas não cheiro cocaína. 
- eu tenho certeza que você cheira cocaína. 
- então taí uma boa hora pra você perceber que não dá pra ter certeza de nada nesta vida. 
- você tá querendo mudar de assunto; você cheira ou não? 
- não. 
- mentira. 
- ok. (silêncio) 
- por que você não assume logo que cheira cocaína? 
- porque eu não cheiro cocaína. 
- seu nariz é muito nervosinho. 
- rinite. 
- a desculpa clássica de quem cheira cocaína. 
- ou apenas a verdade. 
- se você quiser ficar comigo vai ter que assumir que cheira cocaína. 
- eu não quero ficar com você. 
- e eu não curto mentirosos. 
- ok, eu sou um mentiroso. 
- então você cheira cocaína? 
- não… eu quero ficar com você. 
- então assume. 
- ok, eu cheiro cocaína. 
- eu sabia. me dá um teco? 

— J.Castro


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Navegante e o Que Foi

Seu Que Foi e Dona Navegante moravam na beira do mar, longe de tudo e perto de quase nada. Tinham muito pouco, mas o pouco era do tanto que lhes cabiam nos bolsos.
Seu Que Foi amava Navegante e adorava navegar nas curvas daquele corpo cansado de beira de mar. Era tanto sol, que a pele escorria pelas carnes e a rugas denunciavam que morar sob as areias da praia era como viver num deserto de sal.
Dona Navegante era mulher de força, cuidava do lar enquanto o Que Foi trazia o sustento do além mar. Ela esperava que ele voltasse para que a vida continuasse. Naquele vilarejo de casas onde o vento açoita sem piedade as paredes de barro batido, tudo era brisa, tudo era luz e calor.
Era noite quando o velho Que Foi retornava, cansado de colocar força muita e banhar a vela já desbotada da jangada, ele trazia uma cesta cheia de pequenos cadáveres prontos para a cremação e degustação. Buchos cheios, Navegante e Que Foi se sentam na varanda para contemplar aquela multidão de pontinhos luminosos na imensidão de céu, e a brisa abranda a vida na terra onde esquecer é sobrenome.
Os velhos cansados dormem juntos e conchinham, por que em terra onde tem conchas pra pisar na beira-mar, os casais dormem sempre a conchinhar.
Amanhece e o astro rei acende as luzes daquela morava encantada. O velho Que Foi se prepara para fazer seu ritual de penetrar o mar mais uma vez. Navegante fica na janela a espreitar a jangada indo, indo, indo, desaparecendo naquele fim de mundo azul.
Era noite, nada do velho retornar da escudirão. Navegante aflita, pensa que é muito mar pra uma jangada pequenina voltar.
A jangada não voltou, dessa vez o mar não deixou. O velho Que Foi se foi para além do mar. Será que virou peixe ou comida de peixe?
Navegante agora passa os dias a navegar, sem caís, sem lar, só mar...a esperar o Que Foi uma dia voltar.
Amém!
  
Escrito por Ma Vie

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013