"Provo que a mais alta expressão da dor consiste essencialmente na alegria." (Augusto dos Anjos)
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
ODE ÀS (T) ALMAS I
De quatro, de oito, de graça. [[de graça? Nunca!]]
Ativa. Passiva. Totalmente liberal.
Betty topava tudo. Maricona, mariquinha, casal pseudo-hétero, fetichista.
Bicha casada, bicha solteira, bicha velha, bicha nova.
Travequeiro, T-Lover, pornografia, pornochanchada.
Estudante bêbado, transfóbico, homofóbico, vidafóbico.
Taxista machista, fetichista, sensacionalista.
Cafetina louca, mona louca, mona de porre, drogadita, drogadona.
Tudo louca, devassa, travessa!
Todas perturbadas, assanhadas, destruídas.
Todas Almas, todas Vidas, todas desgraçadas, açoitadas, marginalizadas.
Betty topava tudo. Anticoncepcional, Perlutan, Androcur, terapeuta, fonoaudiólogo, silicone industrial, bundão, peitão, corpão, cirurgião, clandestinão, Paraguayão.
DST, AIDS, HIV.
Aquendar a neca, fazer a chuca, 2 anos de SUS, 5 anos de SUS, 20 anos de SUS,
nome social, nome civil, nome da puta que pariu.
Pai filho da puta, Mãe filha da puta, Irmão filho da puta, Irmã filha da puta, Tio filha da puta, Tia filha da puta, Avô filho da puta, Avó filha da puta, Primo filho da puta, Prima filha da puta, Sobrinho filho da puta, Sobrinha filha da puta, Orfanato filho da puta Mundo filho da puta.
Betty topava tudo. Avião, Tailândia, concurso de Miss, vagina recém-feita, marido porta afora
Betty topava tudo. Rejeição Suicídio Sujeição Agressão Depressão
Betty topava tudo.
Betty topava com a Vida, com o Amor, com o Ódio, com Deus, com o Diabo.
Betty topava tudo. Betty era Vida, Betty era Poesia. Betty era Betty E não João ou Ricardo ou Pedro Henrique ou Leonardo ou Maykon ou André ou Daniel Ricardo Martins da Fonseca. Betty era Betty e
Betty topava tudo.
Texto de Alexander Brasil (Poema em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade Trans - 29 de Janeiro)
sábado, 25 de janeiro de 2014
De Tarantino e Sade, todo mundo tem um pouco.
É na loucura dos normais que a insanidade faz a festa.
Chega de mansinho, vai entrando em casa e passa direto para o lugar dos prazeres inconfessáveis: a alcova.
Nas quatros paredes do recinto, quem dirige a cena é a luxúria embebecida de álcool e fumaça furta cor.
Tudo que ali se encontra é velado, é túmulo, é despido de qualquer pudor equaliza-dor. Na arte do entretenimento dos prazeres um é sempre vouyer, dois já passamos para a normatividade, três é sempre um convite à trois, em seguida um balanço no swing à quatre e os números vão perdendo sua forma, se transformando em gemidos e sussurros.
- "Como ser delicado de pau duro?" Pergunta o jovem no tatear de mãos gulosas que vasculham cavernas e túneis em busca do melhor encaixe.
- "Oh, céus! Não... não quero que seja ele, senão vou morrer: o vosso é bem menor." Mas no escuro, tamanho não é documento.
Os corpos se unem a música que adormece as carnes tremulas e é tudo gozo, é tudo dor, é tudo calor.
É na morte de gozar plenamente que o desejo se alimenta e todo dia morre-se um pouco. E morre-se só, pois é no altar que o egoísmo te espera. É na individualidade dos prazeres que cada um vai construindo sua alcova, seu túmulo, seu cárcere.
No meu quarto é tudo assim, tem um pouco de alcova e cova, um pouco de Marquês e de Sade também, um pouco de Mia Wallace e Beatrix Kiddo. Tem também um pouco de Selma e Miranda Priestly, Mallory Knox e Heleninha Roitman.
Acordei me sentindo Marylin, só me falta saber se assumo ser Monroe ou Manson. Na dúvida, vou assistir Pulp Fiction.
Texto escrito por Ma Vie
* Os trechos entre aspas foram tirados do romance A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade
Chega de mansinho, vai entrando em casa e passa direto para o lugar dos prazeres inconfessáveis: a alcova.
Nas quatros paredes do recinto, quem dirige a cena é a luxúria embebecida de álcool e fumaça furta cor.
Tudo que ali se encontra é velado, é túmulo, é despido de qualquer pudor equaliza-dor. Na arte do entretenimento dos prazeres um é sempre vouyer, dois já passamos para a normatividade, três é sempre um convite à trois, em seguida um balanço no swing à quatre e os números vão perdendo sua forma, se transformando em gemidos e sussurros.
- "Como ser delicado de pau duro?" Pergunta o jovem no tatear de mãos gulosas que vasculham cavernas e túneis em busca do melhor encaixe.
- "Oh, céus! Não... não quero que seja ele, senão vou morrer: o vosso é bem menor." Mas no escuro, tamanho não é documento.
Os corpos se unem a música que adormece as carnes tremulas e é tudo gozo, é tudo dor, é tudo calor.
É na morte de gozar plenamente que o desejo se alimenta e todo dia morre-se um pouco. E morre-se só, pois é no altar que o egoísmo te espera. É na individualidade dos prazeres que cada um vai construindo sua alcova, seu túmulo, seu cárcere.
No meu quarto é tudo assim, tem um pouco de alcova e cova, um pouco de Marquês e de Sade também, um pouco de Mia Wallace e Beatrix Kiddo. Tem também um pouco de Selma e Miranda Priestly, Mallory Knox e Heleninha Roitman.
Acordei me sentindo Marylin, só me falta saber se assumo ser Monroe ou Manson. Na dúvida, vou assistir Pulp Fiction.
Texto escrito por Ma Vie
* Os trechos entre aspas foram tirados do romance A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Da confusão a conclusão.
- você cheira cocaína.
- não cheiro.
- então por que você vai tanto ao banheiro?
- eu tenho uma bexiga de menina.
- você cheira cocaína e é um machista babaca.
- posso ser machista, mas não cheiro
cocaína.
- eu tenho certeza que você cheira
cocaína.
- então taí uma boa hora pra você
perceber que não dá pra ter certeza de nada nesta vida.
- você tá querendo mudar de assunto;
você cheira ou não?
- não.
- mentira.
- ok. (silêncio)
- por que você não assume logo que
cheira cocaína?
- porque eu não cheiro cocaína.
- seu nariz é muito nervosinho.
- rinite.
- a desculpa clássica de quem cheira
cocaína.
- ou apenas a verdade.
- se você quiser ficar comigo vai ter
que assumir que cheira cocaína.
- eu não quero ficar com você.
- e eu não curto mentirosos.
- ok, eu sou um mentiroso.
- então você cheira cocaína?
- não… eu quero ficar com você.
- então assume.
- ok, eu cheiro cocaína.
- eu sabia. me dá um teco?
— J.Castro
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