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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


A Deus...

Chegou em casa, sentou no sofá e ficou esperando o outro terminar de rezar o terço. Todos os dias era assim, a mesma coisa, o mesmo ritual, o mesmo silêncio.
Era tanto silêncio, que as vezes ele tampava os ouvidos com força para não enlouquecer...
Tomava uma dose de whisky barato, abria a agenda, escrevia sempre de cabeça para baixo e terminava quando ouvia o terço cair no chão. Era o sinal! Hora de voltar.
Se levantava, pegava o resto de nada que sobrara e saia.
Nunca dizia a Deus, apenas deixava a porta entre aberta para que o outro soubesse que ele se fora e dessa vez era pra sempre.
Desse dia em diante...ele passou a rezar diariamente, mas passou a rezar um rosário. Poís ele era mais longo e o silêncio dele fazia mais barulho. Amém!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Só sobrou esse nó no peito

mudar não é fácil. a gente sempre pensa que mudar de rumo é coisa somente de dizer eu quero, eu faço, eu vou. é nada. atualmente passo os dias oscilando entre as perdas do adeus e os gostos do novo. ando duvidando ridiculamente do que conheço até o revés, por desejar estar onde meus pés nunca pisaram. eu precisei esquecer certas coisas para ter coragem de ir embora. e agora eu só sei que quero ir. para ver se o vento lá sopra na mesma direção que aqui, para saber se o vazio das horas perdidas se recompõem, para cair no fundo do poço e sentir se o cheiro, se o lodo, se a umidade dos poços de lá são os mesmos dos daqui. um dia a gente acaba descobrindo a cor exata em que o sol desmaia nas tardes e percebe que já não precisa ficar. um dia tudo fica mais cinza que de costume, e não dá para saber se o que se perdeu foi arrastado pela chuva, se os azuis ficaram sem cor, ou se as borboletas sobreviveram, enquanto permanecia deitada sofrendo de autopiedade desmedida. de repente, tudo se desgasta sem que seus olhos dessem conta, antes que virasse uma era, antes que o tempo se manifestasse, antes que soubesse exatamente para onde queria ir.
Deise Anne R. de Souza.
"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?" (Caio Fernando Abreu)
Ler a Deise é alimento para minha alma!!! Tenho sempre vontade de viver mais!!!
Minha amiga, meu caís, meu porto seguro!
Te amo!
Para quem quiser sentir um pouco da sensação que terminei de descrever: www.muitomeagrada.blogspot.com

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


De vez em quando é melhor do que nunca!

Hoje não faz tanto frio, apenas chove dentro de mim! Sinto o calor do meu corpo, ainda vivo, fazer evaporar o dilúvio calmamente. Transbordo pelos poros, pelas lágrimas e pelas órbitas ainda doloridas. Acho que preciso transpor as barreiras do infinito e chegar a lugar nenhum. Talvez lá o sol tenha a cor daquela flor que morreu em cima da mesa por falta de calor, água e amor. Vejo um beija-flor solitário, acredito que ele espera encontrar sua flor preferida. Provavelmente a finada flor, a preferida, está no vaso sob a mesa compondo o ambiente com sua natureza morta. Pelo menos ele voa. E eu? Vejo as flores morrerem. Outras nascerem. Mas o sol ainda não mudou de cor. Ou será que mudou e eu não percebi? Talvez, esquecer das coisas simples da vida é muito simples mesmo! Perceber que o simples começa a aparecer quando dá lugar ao complexo. É, acho que agora está tudo claro, mas não vou colocar óculos escuros. O que menos preciso é de ver tudo cinza! Isso, meu bem, é coisa de quem vive em preto e branco. Eu quero mesmo é viver no colorido, no bater asas, no evaporar, no sentir, no andar, no gozar interminávelmente e no amar, mesmo que ele chore de vez em quando...