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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Meu medo, Minha coragem, Minha alegria


É quando se descobre que os caminhos não são nossos
Não se sabe aonde ir
Que lágrima chorar, que alegria ter,
E de que modo o coração sobrevive. 
E se percebe que não há caminhões. 
Que os pés e as pessoas nos acompanham, nos abandonam ou 
Sempre reaparecem. Todos na mesma busca e perdidos.
Outros nos ressuscitam a presença do amor.

Os livros tomam espaços.
A música se compõe em dupla:
Tua casa, tua roupa, teu dia.
Meu medo, minha coragem, minha alegria.



Belas linhas escritas pelo meu querido amigo:
João Paulo L.
Londres, 12.02.2014


Foto: Ma Vie em Antonio Pereira - Distrito de Ouro Preto - MG

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Birdy - Bird Gerhl (Anthony And The Johnsons cover)

"Aponta pra fé e rema!"

Hoje eu acordei sem ter dormido. Imerso na escuridão dos sentimentos de saudade do amor que me abandonou. 
Hoje eu sigo abandonado, pelos caminhos que não levam a você. Difícil é caminhar quando a chegada não é no teu abraço e o descanso não é no teu coração.
No perde e ganha da vida: perdi no amor e ganhei na dor. Uma dorzinha dolorida, daquelas que faz a alma tremer de frio quando o sol brilha em silêncio.
Lembrei das palavras do poeta que traduz quase tudo, quando diz:

"Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila."

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Riso do Menino Melancólico

Lá vai o menino melancólico com seu riso limitado e mortal.
Lá vai o riso marcado pela falta e pela impossibilidade do menino melancólico.
Ah menino melancólico, deixa de ser assim tão menino e melancólico!
Vem ser apenas menino, com teu riso de fragilidade a ultrapassar o mundo.
Vem ser apenas palhaço, com teu riso descontrolado de ausência.
Vem ser apenas melancólico, com o brilho do riso que não se prolonga e te faz menino melancólico.
Saber rir momentaneamente é tornar-se Deus, é buscar sentir o amor que inspira.
Ah menino melancólico, se tua natureza te faz sorrir pra dentro, então faça do teu riso melancólico o senhor da tua poesia.
Que a melancolia do teu riso te faça rir da solidão.
Que teu riso melancólico seja tua salvação.

By Ma Vie

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Para você: minha caixinha de surpresa.

A vida é mesmo uma caixinha de surpresas!
Eu sempre imaginei encontrar uma pessoa que me desse conforto, que me trouxesse paz, que me aceitasse como eu sou.
De repente, num dia despretensioso, a vida te coloca no meu caminho e você não era nada disso. Você era bem diferente.
Você era de longe!!!
Eu nunca imaginei, que daquele dia em diante eu iria voar, flutuar, sonhar!
Voar de encontro ao amor!!!
Você, além de conforto, me trouxe a inquietação de fazer nascer um novo modo de pensar.
Além da paz, você me trouxe um mundo novo, cheio de grandes descobertas, cheio de lugares mágicos, de montanhas, cachoeiras, serração, friozinho com vinho, ladeiras históricas, pessoas maravilhosas e abraços intermináveis.
Com você, tenho aprendido ricos ensinamentos e a grandeza de perceber que a minha filosofia precisava ser pensada com olhos mais maduros.
Com você, eu tenho aprendido que nem toda distância é ausência e que Confins não é o fim do mundo.
Hoje, eu poderia simplesmente te dizer para você continuar sempre assim, para nunca mudar. Mas digo o oposto, digo para mudar e continuar mudando minha vida, me fazendo sempre melhor.
 Te amo cada vez mais, cada vez de um jeito novo!

by Ma Vie


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Chapeuzinho Vermelho morta a pauladas

Li no jornal a notícia sobre uma menina, 11 anos de idade, morta a pauladas em Maracanaú. Tinha nome de gente, mas a chamavam de “Preá”. Por coincidência, um dos “trocentos” apelidos de rua que ganhei no tempo de eu menino. Talvez por causa das orelhas de abano ou porque fui um menino miúdo, ligeiro.

Pois bem, a vidinha invisível da mirrada Gerlândia Santos Medeiros valia quase nada pra cidade. Vale uma biografia. Daquelas que nenhum homem público – prefeito, governador, vereador, deputado, senador, presidente da República – poderia deixar de ler, reler e ruminar. 

Poderia ser mais. Uma narrativa, conto de fadas às avessas para crianças, pais e professores. Onde, no final, o dragão destroça o pai, a mãe, dois irmãos e a mocinha. Mais ou menos assim: “Branca de Neves morta a pauladas”. Ou então: “Rapunzel, dependente de crack, foi executada”.

Ou talvez: Gerlândia Santos Medeiros, também conhecida por Chapeuzinho Vermelho, “foi vista com vida pela última vez, por volta das 22 horas da terça-feira, quando passou de bicicleta nas proximidades das casas de parentes”. 

No capítulo seguinte, intitulado “Viciada aos 11”, a avó paterna de Preá, a aposentada Maria Hilda Medeiros, contou que a netinha era praticamente moradora de rua. “Ela me disse que começou a fumar ‘pedra’ quando tinha nove anos”.

Pois foi. Preá nem sempre dormia em casa. Perambulava sozinha e só saía com alguém, um lobo talvez, quando ia fumar crack. Em 2010, Paulo Sérgio dos Santos Medeiros, pai de “Chapeuzinho Vermelho”, foi assassinado por traficantes que lhe atazanavam dívidas. 

Nos anos seguintes, 2011 e 2012, dois irmãos de Chapeuzinho também seriam executados. A mãe? Também se foi. A menina, por último, só tinha a vovozinha que mal sabia dela.

Essa história, real e absurda, é da semana retrasada. Queria que fosse inventada. A notícia de Gerlândia não para de rodar nos meus olhos.

Gerlândia, Preá ou Chapeuzinho Vermelho do Maracanaú, existia há apenas 11 anos quando lhe tiraram a infância. Tempo de quase dois governadores e dois prefeitos. Fizeram o quê pelos dias da menina, do pai dela, da mãe e dos dois irmãos? E nós daqui, da Aldeota, também necas.

Um conto de crueldade que no fim, mais uma vez, os traficantes ficam por aí e o bairro nunca é devolvido para os aldeões. E eles voltarão a roubar miolos de histórias.

... Era uma vez uma menina invisível que só souberam de sua existência quando ela morreu a vida dela mesma.

Tinha tudo para ser uma princesa, gostava de bonecas, ganhar chocolate, entrar na internet, visitar a avó e levar comidinhas pra ela a pedido da mãe. Mas, um dia, em um de seus caminhos pelo Maracanaú, um lobo muito mal, muito mal lhe atalhou...

Este foi o texto que quis vir. Até tentei outros, mas só veio este. Miúda biografia da menina que nunca deram importância.

Até outro domingo.

DEMITRI TÚLIO é repórter especial e cronista do O POVO, demitri@opovo.com.br